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05 Jan
158. Terça - 4/1/21

Eu terminei de jogar as moedas e fui meditar. No final, escrevi:

Contemplação

Revolução

Meditei e senti medo.

Medo de alguém invadir o apartamento. 

Me coloquei a observar.

De que tempo são esses medos?

Eu me apavorei, abri os olhos, a porta semi fechada me deixou preocupada.

Medo de ouvir. Vozes. Medo das luzes e sombras que entram pela janela no movimento dos carros na avenida ou na entrada da garagem.

De quais medos eu falo?

Os meus, de agora?

Os meus, de antes?

Os meus, das Marias que não conheço?

Os medos dos meus pais?

Medos de antes deles, da Dedé e dos nossos ancestrais?

Que medos eu desengavetei?

Que sons eu ouvia aqui?

O que tem aqui? 

Quem está aqui?

Quantas somos?

Quais são os sons da revolução e da contemplação do medo?

************************

Amanhã eu volto ao apartamento. Voltaria hoje, ontem, mas não me senti tranquila. Estou remexida. Depois de uma live e antes de sair para o corredor eu escrevi:


Busco situações caóticas. E encontro!

Vivo o confinamento da pesquisa em artes em tempo de pandemia. Eu sempre ouvi que, quando criança, eu vivia com a "cara" dentro das gavetas.

Resolvi tirar TODAS as gavetas do lugar e espalha-las no corredor.

O que é espaço?

O que é esparramar?

O que eu busco?

Contemplei um mar de gavetas.

Caos?

Loucura?

Qual a desordem que eu provoquei?

Desordenei para ser singular?

Sei que depois da performance eu fui para o side savasana e chorei. 

A mente queria organizar: 

- Você não está meditando, está chorando!

Calmamente eu me acolhi:

- Observa seu choro!

Eu só chorei. 

Tirei minutos do dia para chorar depois de olhar um mar de gavetas vazias.

************************

Páginas de diário do processo, o que senti. Sem reescrita. Resolvi compartilhar o que sinto de forma mais crua. Esses dias que me coloquei numa espécie de imersão, eu fiquei mais sensível. Tem momentos que me assusto com o que vejo, mesmo gostando. A experiência com as gavetas foi muito intensa. Quero repetir, mas ainda não sei muito bem o porquê.  

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