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17 Aug
190 - Os olhos

Nunca parei para pensar que os olhos são corpo. Deve ser alguma coisa decorrente daquela dicotomia cabeça - corpo que falei aqui algumas vezes. Mas hoje eu movimentei os olhos de outra forma. Escolhi que a imagem me toca, escolhi que a pele do olho toca a imagem. Deixei a imagem não sobressair ao corpo. Qual a imagem que eu formo?

A Cacá tem me feito diversas propostas com essas questões. Sem me preocupar em raciocinar sobre tudo, penso agora no encontro dos ossos com o chão, o deslisar a pele no objeto, as trocas de peso. Olhos fechados para sentir novas imagens. Hoje, olhar para os esquemas que ela mostrou, da ossatura da face, os espaços dos olhos ocupam, a consistência dos olhos, as musculaturas e nervos que envolvem os olhos. Depois disso, o toque, o mover cabeça-bacia-fundo-dos-olhos. 

Vou deixar o vídeo aqui, mas antes um exercício que escrevi   na oficina da Marilia Librandi que veio após o encontro com a Cacá:

O corpo dos olhos

nunca pensei que 

olhos são corpo.

Corpo tem ossos

alguns deles

são casas no corpo.

Corpo da língua

alguma coisa que

desagua.

Orifícios do corpo

lugares de ecos

imensos.

O corpo da carne

a pele faz curvas

e pelos.

O corpo do ar

infla o pulmão

vazio.


Agora o vídeo:


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