
Nunca parei para pensar que os olhos são corpo. Deve ser alguma coisa decorrente daquela dicotomia cabeça - corpo que falei aqui algumas vezes. Mas hoje eu movimentei os olhos de outra forma. Escolhi que a imagem me toca, escolhi que a pele do olho toca a imagem. Deixei a imagem não sobressair ao corpo. Qual a imagem que eu formo?
A Cacá tem me feito diversas propostas com essas questões. Sem me preocupar em raciocinar sobre tudo, penso agora no encontro dos ossos com o chão, o deslisar a pele no objeto, as trocas de peso. Olhos fechados para sentir novas imagens. Hoje, olhar para os esquemas que ela mostrou, da ossatura da face, os espaços dos olhos ocupam, a consistência dos olhos, as musculaturas e nervos que envolvem os olhos. Depois disso, o toque, o mover cabeça-bacia-fundo-dos-olhos.
Vou deixar o vídeo aqui, mas antes um exercício que escrevi na oficina da Marilia Librandi que veio após o encontro com a Cacá:
O corpo dos olhos
nunca pensei que
olhos são corpo.
Corpo tem ossos
alguns deles
são casas no corpo.
Corpo da língua
alguma coisa que
desagua.
Orifícios do corpo
lugares de ecos
imensos.
O corpo da carne
a pele faz curvas
e pelos.
O corpo do ar
infla o pulmão
vazio.
Agora o vídeo: