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16 Aug
189 - Plano e Gravações

Comprei um gravador de fita K7. Ele tem um tamanho um pouco maior do que um walkman, tem um microfone embutido, não é a melhor qualidade sonora do planeta, mas isso é o que me interessa. Não é possível comparar essa tecnologia com a que temos hoje em nossos aparelhos smartphones. Ontem eu deixei um recado para hoje. Gravar uma mensagem pela manhã e seguir para o estúdio. 

Depois disso, entrar no trabalho, me encontrar com a cortina, com a cadeira de balanço, com minha pele, com a pele dos objetos. Cumpri parte do que havia escrito, tracei outros caminhos, observei o quanto estou-não-estou na pesquisa. É que em 2020 o meu corpo-pensamento era outro. Estar-não-estar se relaciona muito com um reconhecer-se.

Antes de sair de casa, cumpri uma outra proposta que tinha anotado. Li um trecho do Potências do Tempo do David Lapoujade:

Fiquei aqui pensando na criação poética. Nesse pequeno trecho, logo no início do livro, reverberou em mim dois planos, horizontal e vertical, mas não com um pensamento do que seria melhor ou pior, mas como vetores onde só é possível existir quanto se tem os dois eixos. A pesquisa começa nesse campo horizontal, na superfície, dando algum campo, algum chão. Ao se entrar nesse campo e aprofundar, verticalizando vai se ganhando mais corpo. Em algum momento é possível ver a criação.

Na página 18 do mesmo livro:

Talvez o que esteja procurando é um encontro com a Duração. Talvez seja somente nela que a criação poética se estabeleça.



* É possível que você tenha acreditado que os áudios foram gravados com o gravador de fita. Eu gravei no celular usando uma lata de atum. A lata de atum tem feito parte de tudo que tenho vontade de gravar, mas isso é assunto para outro dia. O que gravei hoje foi a receita da Torta de Abobrinha. d-:


Lapoujade, David. Potências do Tempo. 2ª Ed. São Paulo : n-1 Edições, 2017.

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